Stockpickers #43

Thiago Salomão entrevistou Paolo da RPS e Luiz da Kiron

Paolo tem um foco macro e Luiz um foco micro.

Paolo começa se justificando o racional de focar no macro e não no micro: Brasil tem muitos gestores fundamentalistas e 70 – 75% do valor das empresas está na perpetuidade.

E você não tem noção de quanto será o PIB/dólar neste ano/ano que vem, a projeção no futuro acaba perdendo o sentido.

Então, no final do dia, é mais importante saber as tendências macro.

Eu acho que é uma soma dos dois, não precisa ser focado 100% em um.

Corona vírus

Ainda não há tratamento (apenas paliativos) e não há vacina. O lado positivo do Brasil é que é uma economia fechada e não possui muita interação com o mundo. O lado negativo é a sua maior dependência da China e sentimos então quaisquer impactos da economia deles.

A China, por sua vez, vai ter uma desaceleração forte no primeiro semestre. No segundo semestre deve dar incentivo, aumentando a demanda por minério de ferro. Ao contrário do petróleo, minério não caiu muito

IBOV

Luiz entende que a queda é exagerada, Brasil acaba sofrendo por ser um país emergente líquido, economia ainda não decolou e vizinhos estão mal (Argentina).

Queda de juros foi forte e deve trazer um impacto na economia.

Fundos de pensão possuem meta atuarial de IPCA + 6% e não podem alocar nas NTNBs atuais por estão rendendo valores bem abaixo da meta.

Haverá um vencimento grande de NTNB 20 este ano, o que deve gerar um fluxo para ativos de maior risco (como bolsa)

É importante lembrar que fundos tomaram 23 BI BRL de PETR3 2 semanas antes do corona vírus, impactou negativamente performance.

Economia global

Bredda acredita em revisão para baixo do PIB global (como sempre), saindo de 3.3% para 3% (por causa do corona vírus principalmente)

No primeiro semestre teremos impacto da desaceleração da China e no segundo semestre haverá demanda reprimida. Com a volta do consumo, teremos reestocagem e a economia global volta.

A diferença de agora para 2008 é que as empresas estão líquidas e bancos americanos não estão alavancados. Nem consumidores americanos estão alavancados. Então a recuperação deve ser menos dolorida que a de 2008

O que fez após a queda da bolsa

Luiz olha para a qualidade das empresas que estão na carteira. Estavam com 15% do fundo em caixa e foram comprando os mesmos papéis que tinham. Usaram 5% do patrimônio do fundo antes do carnaval (ficando com 10%).

Depois, como caiu mais, usaram mais 5% para comprar papéis e ficaram com 5% do fundo em caixa.

Paolo comentou que quebrou a cara por apostar em commodities. Deu certo em novembro/dezembro, mas perdeu muito dinheiro em janeiro/fevereiro.

Paolo entende que se cenário muda, tem que mexer na carteira. Reduziu posições por ter stop no fundo mas comprou umas opções para surfar caso o mercado voltasse.

Enquanto isso, Luiz toca um fundo long only e não tem stop loss.

AZUL

Luiz já tinha e aumentou a posição. Entende que tem que escolher ativos que irão sobreviver durante e após a crise. Ele conversou com a empresa e até o momento não houve queda na demanda.

80% da frota da Azul é “monopólio” dela e ela é uma empresa bastante doméstica, não tem grande exposição fora do Brasil.

Dólar subiu mas petróleo caiu.

Luiz tem 4.5% do fundo em Azul. Poderia ter mais, mas como tem muita commodity (pouco controle sobre isso), ficam com posição pequena.

Compraram Localiza e Mills também por valuation atrativo.

Macro global

Com medo de desaceleração do mundo, muitos fundos compraram empresas tech e que dependiam pouco de crescimento global (que ganha Market share). Vendiam cíclicos para financiar esta compra.

Tema macro setorial foi muito forte, superando o stock picking.

Trade da vida

GOLL – Paolo (comprou quando ninguém gostava da companhia)

HAPV – Luiz (estudou bastante e tem conforto com case)

Pior trade

Paolo -> Gafisa. Apostou no setor certo (construção), mas específico impactou negativamente. Aprendeu e vai diversificar mais nos próximos calls

Luiz -> UGPA. Case era muito bom, mas demoraram para perceber mudança no case.

Hove mudança no setor (consumidor mais sensível a preço) e companhia não conseguiu se ajustar. E Cosan estava focada em preço e conseguiu se ajustar.

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2 comentários em “Stockpickers #43”

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